Normanda de Carvalho Ribeiro

(21-03-1916 a 14-12-2003)

Normanda de Carvalho Ribeiro nasceu em João Pessoa, Paraíba, no dia 21 de março de 1916, filha de Matheus Gomes Ribeiro e Maria Arminda de Carvalho Ribeiro. Teve mais 4 irmãos: João Américo, Evalda, Evandro e Maria Arminda. Perdeu a mãe aos 7 anos, logo após o nascimento da irmã Maria Arminda. Matheus Ribeiro era contador e funcionário público estadual. Foi Secretário de Fazenda do Governo João Pessoa.

Normanda herdou de seu pai a honestidade, a integridade moral e a coragem para lutar pelos seus direitos. Durante a revolução de 1930, foi uma das lideres na passeata dos estudantes. Apaixonada por aviões, quis ser aviadora, mas seu pai foi contra. Após a morte do pai, em 1942, fez o curso de pilotos no Aeroclube da Paraíba e se brevetou em 1943. Foi a primeira aviadora da Paraíba e sua intenção era ser útil ao Brasil. Fez curso de enfermagem na Cruz Vermelha Brasileira, em 1940. Era funcionária concursada da Delegacia Regional do Trabalho.

Veio para o Rio de Janeiro em 1944 e foi morar em Niterói. Conseguiu transferência para o Ministério do Trabalho, no Rio de Janeiro, onde se aposentou com Menção Honrosa.

Casou-se em 1946 com Nilo Antunes de Figueiredo Filho. Tiveram 2 filhos, Rubem e Nilo. Separou-se em 1949. No lar, foi uma heroína - com garra e determinação criou sozinha os 2 filhos pequenos. Em 1954, nas vésperas do Dias das Mães, perdeu o filho caçula, Nilo, vítima de atropelamento. Apesar da dor da perda de um filho, teve forças para seguir em frente, pois tinha outro para criar.

Teve sua primeira experiência mediúnica quando junto a uma tia e uma amiga sentou-se ao redor de uma mesa para fazer uma “brincadeira” com os Espíritos. Minutos após a invocação, uma entidade incorporou na amiga de sua tia, dizendo-se chamar Arariboia. Deu uma linda mensagem. Minutos depois uma outra entidade incorporou na Normanda. Chamava-se Catarina. Tinha sido escrava e apresentou-se como sua guia espiritual. Iniciou sua mensagem dizendo que elas procederam errado fazendo essa experiência, que era necessário um preparo do ambiente. Tempos depois, já freqüentando a Casa de Recuperação e Benefícios Bezerra de Menezes, veio a saber, através do Irmão Azamor Serrão, que se tratava da Vovó Catarina, Espírito com o qual trabalhou muitos anos transmitindo milhares de conselhos psicofônicos.

Em 1974 seu filho Rubem foi fazer faculdade em Campos dos Goytacazes. Estava agora sozinha. Na Casa de Recuperação encontrou o conforto espiritual que tanto precisava, pois tinha a oportunidade de ajudar os enfermos e os necessitados. Para preencher a solidão resolveu adotar uma menina, Edilene, embora seu filho viesse visitá-la com freqüência.

Seus últimos anos foram de provações. Começou perdendo a visão, gradualmente. Tentou uma cirurgia de catarata, sem sucesso. Fez também transplante de córnea, igualmente sem resultado, e acabou por perder definitivamente a visão do olho esquerdo. Uma esquemia cerebral lhe paralizou todo o lado esquerdo. Meses depois, recuperada, levou uma queda na rua e fraturou o fêmur. Pouco antes de falecer sofreu ainda uma queimadura séria no fogão. Apesar de tantas agruras, em momento algum afastou-se do trabalho mediúnico e da caridade cristã. Com o corpo cansado de tantas aventuras e tanto trabalho, faleceu às 5:30 da manhã de 14 de dezembro de 2002.

Normanda era Sal da Terra. Deixou o mundo mais insosso...

(Homenagem dos filhos Rubens e Edilene)